Explorando o Move Dial nos equipamentos Movement
Como Product Designer, fui responsável pelo processo de pesquisa, exploração e design de uma nova experiência de interação para os equipamentos Movement. O projeto explorou o potencial de uma interface embarcada em um hardware circular, com gestos e área útil limitados, investigando o impacto dessas restrições durante o treino.
- Time
- Auclan Design
- Cliente
- Movement
- Função
- Product designer
- Ano
- 2022
Contexto
A Movement é uma das maiores fabricantes de equipamentos de fitness do Brasil. O MoveDial parte de uma proposta de novo painel para as esteiras da linha Home: um dial circular embutido no equipamento, com apenas dois meios de interação, uma moldura giratória e um centro pressionável.
Desafio
Os desafios navegam entre hardware e software, o MoveDial nasce com uma restrição de hardware: A proposta era controlar os equipamentos fitness por meio de um hardware circular com apenas dois gestos de interação.
Esse tipo de interação já estava presente em produtos como Nest Thermostat, Surface Dial, smartwatches e etc, mas sempre em contextos muito diferentes.
No Move Dial, o usuário estaria numa esteira em movimento, com a atenção dividida e apenas alguns segundos para interpretar e executar uma ação em uma interface de área útil limitada.
O começo
A dúvida sempre foi se esse mesmo modelo de interação faria sentido durante um treino. Por isso, a exploração começou com documentação extensa, mapeando gestos, hardware, mecânicas e hipóteses de interação para compreender quais ações deveriam existir no dial e em que momento elas fariam sentido.
Testes Alfa
Mesmo sem o protótipo final, iniciamos os primeiros testes exploratórios, Alfa I e II. Além de captar a percepção inicial em relação ao Dial, o objetivo principal era entender sua ergonomia: como seguravam o Dial, quais gestos surgiam ao interagir com as funções básicas, e como a velocidade influenciava a interação durante o treino.
Essas primeiras rodadas responderam as principais hipóteses e trouxeram alguns aprendizados:
- O gesto de pressionar foi entendido rapidamente;
- A interação de giro mostrou potencial, mas precisava de melhor feedback tátil;
- A ergonomia variava conforme a velocidade e posição das mãos;
- Além de ajustes em fluxos e design em geral, a hierarquia das informações precisava ser refinada em algumas interfaces;
- O status de seleção no menu, precisava ser mais óbvio;
- Interfaces de treinos mais complexos (ex: inicio rápido e treino intervalado), precisavam ser mais objetivas;
- A inclinação da esteira acrescenta uma camada de complexidade.
Testes Betas
Com os ajustes implementados, chegamos a uma versão mais madura do Dial e iniciamos os testes Beta. O principal objetivo dessa etapa era validar a usabilidade e observar a experiência em um contexto mais próximo do uso real.
Os resultados mostraram uma evolução significativa. Os participantes concluíram os cenários, a maioria sem qualquer dificuldade, incluindo os mais complexos. Em questões comparativas com uma outra esteira tradicional, a navegação do Dial exigiu menos tempo, menos interações e com uma média de facilidade maior para a conclusão dos cenários
Resultado
Finalizamos os testes com a percepção de que o Move Dial tinha um enorme potencial para evoluir como produto. O modelo de interação baseado em giro e pressão mostrou-se simples, intuitivo e facilmente compreendido pelos usuários. Ao mesmo tempo, fica alguns aprendizados em relação aos refinamentos na comunicação da interface, nos feedbacks das interações e na evolução da experiência para cenários mais complexos.
Fechamento
Este foi um dos projetos que mais me tirou da zona de conforto. Trabalhar com restrições de hardware, projetar para uma interface circular pela primeira vez e validar decisões em testes de usabilidade in loco ampliou minha forma de pensar produto e reforçou a importância de projetar sempre a partir do contexto de uso.
Meu agradecimento à Movement pela confiança, em especial, ao Victor Xavier, que foi uma peça fundamental durante todo o projeto.